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A exploração legalizada de animais silvestre e exóticos

 

“É muito difícil que um homem entenda algo, quando é do não entendimento disso que seu salário depende”. Upton Sinclair

 

Recentemente fomos surpreendidos tomando ciência por meio do flyer de divulgação do serviço, de mais uma forma do uso de animais para lucro e entretenimento, a procriação de animais silvestres nativos e exóticos em cativeiro para serem alugados para festas infantis! Isso mesmo, animais silvestres usados como elementos atrativos de festas! Não que isso seja algo totalmente novo, mas parece estar sendo cada vez mais popularizado, e há uma escassez de campanhas de Direitos Animais voltadas especificamente para combater esse tipo de exploração, desconstruindo todo o falso marketing de “respeito”, “necessidade” e “educação ambiental” que falaciosamente tentam incutir nos clientes em potencial.

 

 Esse tipo de criador lucra de diversas formas ao conseguir legalizar sua atividade por meio do IBAMA, órgão licenciador. Eles procriam, modificam geneticamente, e assim, vendem os animais para serem mantidos como domésticos (alimentando a indústria pet) ou para serem cobaias em laboratórios, palestram para legitimar cada vez mais esse tipo de atividade, alugam para filmagens e fotos e “animam festas”.

Como toda atividade de exploração, há um empenho em romantizar e estimular o consumismo. Defendem a não atualização de leis antigas, pois já ganham a sua parte do jeito que está, se esgueirando pelas brechas da legislação. Os desavisados, que já possuem a ideia de que animal é um tipo de propriedade que deve existir apenas para nos oferecer algo, nem que seja a bela visão deles de perto, acabam por achar tudo muito bonito. Isso se torna uma consequência fácil, pois desde o sistema fordista, somos condicionados a ver apenas o resultado final, o que está sendo mostrado, sem fazer nenhum esforço de imaginar e entender os processos internos e externos.

Mesmo assim, para os que veem cada animal como um indivíduo único, consciente, que possui dignidade, interesses próprios e direitos morais básicos, a visão de ser usado comercialmente, exposto e manuseado por outros é ultrajante. A percepção visível do mal estar do animal, nesse caso, é ainda mais desconsiderada por não serem mamíferos como nós, distanciando a relação de empatia. Assim, uma jiboia, uma iguana ou um curió possuem sinais e expressões bem diferentes das nossas, quase nulas até, fazendo com que não se perceba o que o animal sente, ou até se creia que ele não possua sensibilidade e consciência.

Então, qual a diferença disso para os já combatidos circos com animais, onde já temos leis mais atuais que os proíbem em diversos lugares? A diferença é que além de expostos para o público como artigo de curiosidade para entretenimento e mantidos em cativeiro como “exemplares”, desconsiderando o valor intrínseco como individuo consciente, também são constantemente transportados e manuseados por inúmeras pessoas estranhas. Se Educação Ambiental e respeito se desenvolvem apenas ou principalmente tendo contato direto com o animal, não teríamos mais casos de maus tratos com cães e gatos, já que todos nós tivemos contato com eles desde cedo, certo? Além disso, esse tipo de atividade está longe de ser de necessidade básica. 

A escolha por esse tipo de atividade não é uma questão pessoal, é uma questão moral, pois envolve a interferência direta e planejada na vida de outros, os usando sem consentimento. E quem defende o direito desses outros, mantidos como “escravos legalizados e com regalias”? É a mercantilização da vida, definindo e retificando finalidades para o corpo alheio que não para ele próprio, como se isso fosse natural. Tentam acreditar até que a solução para o tráfico seria o incentivo ao comércio legal de animais, como se a existência de lojas tivessem extinguido os camelôs, e como se ter um animal silvestre em casa fosse necessidade básica indiscutível.

 

 

Então, muitos tentam justificar falando de preservação, como se animais fossem prédios ou quadros que devem existir "exemplares" guardados para “quando precisarmos”. Mas que necessidades tão fundamentais são essas? Já parou para pensar? Os animais devem ser respeitados. Mas, além do desrespeito ao indivíduo, não se enriquece em nada ao meio ambiente animais que vivem artificialmente fora de um ecossistema natural. No caso dos exóticos, até longe dele, já que além de estarem privados de viverem em seu habitat natural, este é fora do território em que é mantido, podendo até ter clima totalmente diferente. Além disso, outros animais acabam tendo que ser produzidos para servirem de alimento para “os principais”, inseridos em uma realidade muito diferente da situação natural de caça na natureza. Mas, aliás, o que tem a ver preservação de espécies com criação de espécies novas (que sequer sobreviveriam na natureza) e exibição de animais em festas?

No entanto, mesmo não sendo silvestres, pode-se perguntar: e os cães e gatos? Por que podem? De acordo com Gary Francione, professor de Direito nos EUA e um dos principais teóricos dos Direitos Animais: “Por mais que eu goste de morar com cachorros, mesmo se restassem somente um cão e uma cadela no mundo, eu não seria a favor de fazê-los se reproduzir a fim de podermos ter mais “pets” e assim perpetuar sua condição de propriedade. É claro que devemos cuidar de todos os animais domésticos que estão vivos no presente momento, mas não deveríamos continuar a trazer mais animais à existência a fim de poder possuí-los como animais de estimação.” Vale ressaltar, prevenindo comuns más interpretações que possam vir a ocorrer, que ele fala da procriação em condição de dependência humana, para finalidades humanas, submetidas a nosso julgo, e não ocorrendo naturalmente na natureza para fins próprios. Além disso, cães domésticos sequer são de espécie natural, mas criada e modificada pelo ser humano. Assim como os tais silvestres híbridos, para formarem cores “inusitadas”. Que coisa importante, não? Eles devem ser agradecidos por isso? Que pretensão! Por nascerem dependentes e incapazes? Mas sim, também é condenável a mercantilização de cães e gatos, os procriando para venda e os escolhendo pelo puro desejo, que um dia será tido como bizarro, de manter um animal pré-definido a sua disposição. Deve-se sim, acolher um animal que precisa de ajuda, com consciência e seguindo a Guarda Responsável. E nessa situação, o que vemos são cães e gato. Já os animais silvestres nativos e exóticos não tem necessidade de virem ao mundo para servirem de pet, mas são imersos nisso pelo desejo fútil e consumista criado nas pessoas que almejam um falso status ou suprir alguma carência.

É claro que atualizar a legislação para o contexto atual da sociedade, acompanhando a expansão de nosso círculo de consideração etíca, igualmente quando ela mudou ao abolir a escravatura, ao permitir que mulheres votem e ao criminalizar a violência doméstica, seria um avanço e uma ferramenta muito útil. No entanto, não ficaremos limitados ao legalismo, pois nós acreditamos que a ética e o senso crítico devem estar acima disso. E podem. A necessidade de controlar e submeter o diferente, data das colonizações e circos de aberrações, e não é esse tipo de valores que selecionaremos para manter. A beleza de um animal está em sua liberdade, vivendo para suas próprias razões. Independente dos riscos, nada paga a liberdade, e viver em privação não é escolha de ninguém. Devemos abandonar a arrogância e ganância ao nos acharmos deuses detentores da decisão de desviar os cursos da natureza, e utilizar a ética e o bom senso. Se posicione a favor dos animais. Não apoie a mercantilização e o desejo de consumo por vidas, os objetificando. Ensine a respeitar, não a usar. Deixem os animais em paz.

EXTRA:

- Lei 4808/06 Art. 23 - É vedado: V - a utilização de qualquer animal em situações que caracterizem humilhação, constrangimento, violência ou prática que vá de encontro à sua dignidade ou bem-estar, sob qualquer alegação. (Estado do RJ)
- Projeto visa proibir exposição de animais em eventos (2011): http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/911066-projeto-veta-expor-animal-em-eventos-na-cidade-de-sp.shtml
- Corujas domesticadas são abandonadas depois da “febre” de Harry Potter: http://www.anda.jor.br/22/05/2012/corujas-domesticadas-sao-abandonadas-depois-da-%E2%80%98febre%E2%80%99-de-harry-potter


- Leia o nosso artigo sobre a exploração em zoológicos: http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/faces-da-exploracao/entretenimento/zoologicos.html

- Para reabilitação e possível reintrodução existe um órgão público e não-comercial para tal, o Cetas (Centro de tratamento e reabilitação de animais silvestres do IBAMA) http://www.ibama.gov.br/fauna/cetas.php

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