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Fazendinhas

"Fazendinhas" de shopping: O que estão ensinando aos nossos pequenos?
Por Robson Fernando de Souza, Consciência Blog

fazendinhaAlguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada. Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)… Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda…

 

Mini vaca: Animal geneticamente modificado, explorado em novela da Rede Globo, do autor Walcir Carrasco, aumenta interesse em seu uso para entretenimento.
A verdade é que estão lhes naturalizando o que há de pior na relação entre seres humanos e bichos: o regime de escravidão que norteia a pecuária, as fazendas de criação de animais, a mercantilização da vida. Aprende-se, com ou sem “educadores” presentes, que os animais existem para nos servir, seja como comida, seja como meio de transporte, seja como bichinhos de estimação – mesmo sendo criados em pequenas gaiolas.


Mini vaca explorada da Fazendinda durante o Arraiá do Shopping Downtown no Rio de Janeiro.


Em meio a agitação e som alto da festa, crianças eram colocadas para montar e tirar fotos com esse animal. Essas instalações temporárias são na verdade um complexo de exploração animal, em três sentidos: propriamente exploram os animais, trazidos de fazendas de verdade para os shoppings, obrigados a cavalgar com crianças no lombo ou na charrete e expostos a todo o barulho estressante do local; engaiolam e comercializam diversos deles e, o mais preocupante, promovem a antipedagogia ética, pautada no utilitarismo servil, induzindo as crianças a crerem que cada espécie daqueles bichos de fato “servem”, vivos ou mortos, para determinados fins – e que isso é natural, é normal, é assim que a vida funciona e deve funcionar.



Mini pônei no Arraiá do Shopping Downtown no Rio de Janeiro.

 


O tapete de couro natural abaixo dos móveis de decoração infantil é visto como tão inocente quanto um tecido de algodão.

Aprende-se lá que os animais rurais não são fins em si mesmos, mas sim meios para fins estritamente humanos – em outras palavras, que eles sempre nascem para servir para algo e a alguém. Eles não nascem simplesmente para viver na natureza, sendo ou não perseguido por predadores, mas para fornecer carne, leite ou ovos; servir de transporte sendo montado ou puxando veículos de tração – seja atendendo a necessidades da ruralidade, seja provendo entretenimento para quem busca uma cavalgada ou um passeio de charrete no campo para esquecer os problemas –; prover diversão sendo explorado em rodeios; e ser um servo afetivo das pessoas – animal de falsa estimação, cuja “vida útil” como “pet” acaba num churrasco de feriadão ou numa reunião de família; entre outras utilidades.

 


Fazendinha em escola - detalhe da placa com o nome dos animais "Bisteca e Bacon"


Concebidas como parques de diversão rural e, em última análise, como merchandising pecuarista, as “fazendinhas” de shopping como a que eu observei são um atentado ao bom senso e à ética não-antropocêntrica. Promovem um inestimável desserviço às crianças, ao lhes naturalizar o utilitarismo servil a que os animais são submetidos nas fazendas e passar a falsa imagem do ruralismo tradicional roceiro, cada vez mais raro numa realidade em que o extremamente predatório agronegócio, cada vez mais industrializado, dita as regras na ruralidade brasileira.

 


Pônei de crina pintada, obrigado a puxar charrete até cansar.

Estamos formando crianças acostumadas em ver animais sendo tratados como mercadorias, aprisionados em gaiolas, aquários e cercas, explorados vivos e mortos para os mais diversos fins. A garotada cresce aceitando como natural e normal que a vida não-humana seja banalizada, mercantilizada, comparada à não-vida, tratada sem o mínimo respeito e dignidade, e participando desse sistema que escraviza seres tão sencientes quanto os humanos. É esse mundo que queremos, onde exploração e escravidão são a melhor diversão do momento para crianças?

Fonte:
http://consciencia.blog.br

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