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A exploração de animais como objetos de arte

arte1Pode haver uma dificuldade em definir o que é arte, por sua subjetividade e amplitude, e também definir o que é ética, mas certamente há que se debater sobre o assunto e buscar agir de forma ética em todas as situações, mesmo artísticas. Com o passar dos séculos a arte ganhou liberdade de expressão, a arte contemporânea possui estilos mais distintos e por vezes, a falta de criatividade cai na bizarrice e falta de ética, pelo objetivo não da "arte pela arte", mas nabusca da arte para chocar. 

Mas seria ético manter seres vivos conscientes numa instalação, em ambiente artificial e de privação, forçados a participar de algo que para eles não tem significado algum, objetificados como meros elementos de cena? E ainda com isso, financiar a indústria da procriação em cativeiro para aluguel e venda de animais. A questão aqui não é estética, mas ética, portanto isso é exploração animal travestida de arte conceitual.


Apelação à polêmica

"Artes" como amarrar um canário vivo a outro morto, manter urubus em pilastras de concreto dentro de galpão com som ligado , peixes em aquários que constantemente perdem água até o limite de sobrevivência, galos vivos penduradas (se debatendo ou exauridos) de cabeça para baixo ao corpo do performer, muares com caixas de som amarradas a seus corpos, formigas confinadas em labirintos, pássaros e porcos jogados em palcos de teatros,... Tudo isso só no Brasil nos últimos anos. Em outros países, também ocorreu o definhamento de um cão faminto, tartarugas com lanternas presas ao corpo e tatuagem em porcos. Ou seja, além do uso de animais não ser nada original, tudo isso mais parece brincadeiras de crianças com tendências a psicopatia movidas pela curiosidade sádica de ver a reação de outros seres a diversas situações de sofrimento físico ou emocional; uma releitura dos medievais circos com números de animais para entretenimento humano ou até mesmo os snuff movies.

Planejam obras sensasionalistas apelando para o manjado intuito de chocar o público, polemizar e chamar a atenção da mídia, conquistando quinze minutos de fama, assim como um participante de reality show, que também se podia entitular de arte performática ou intalação, diante da atual falta de critérios de qualidade e coerência.

Apelação ao discurso legalista
Embora os animais dessas instalações sejam criados em cativeiro e estejam sob o amparo de técnicos, com autorização de órgãos governamentais, isso não significa que em um ambiente artificial, estressante e cheio de privações, não estejam em condição de abuso. É mais uma expressão clara da forma utilitarista com que as pessoas veem e tratam os animais e explicita a fragilidade da legislação atual no que concerne aos Direitos Animais.

Em relação a esse detalhe técnico, está na hora de o Ibama se dar conta de que o problema não é se o animal nasceu em cativeiro ou não. Para o indivíduo apropriado para fins de terceiros isso é irrelevante. O problema é se apropriar da vida de animais para explorá-los, independente do suposto ‘bem-estar’ seguido por um manual técnico.
Um discurso puramente legalista para explorar e se eximir de responsabilidades e questionamentos éticos, se aproveitando da legislação que ainda legitima a exploração animal em todas as vertentes possíveis e recriáveis. Claro, tudo devidamente documentado, pois um carimbo tem mais legitimidade que o bom senso crítico, a ética e a emancipação. Usando, confinando, expondo, brincando com os limites, com as necessidades, com o emocional... mas claro, desde que não mate. Que mantenha “a máquina” viva e funcionando adequadamente . E é para isso que serve o carimbo do laudo veterinário a serviço desse esquema.

Apelação a finalidade reflexiva
De que forma se contribui para a educação e a cultura, principalmente das crianças, que ocupam grande parte do local com suas famílias ou professores, ao se colocarem seres vivos conscientes em situação abusiva de condição artificial, privação e não-voluntária? Proporcionar aos espectadores reflexões a respeito de temas específicos? Os questionamentos que surgem acabam sendo provenientes da concepção errada e não do conceito!

Onde pode haver protesto artístico se a própria expressão reforça e incentiva o que supostamente está sendo criticado? Que arte é essa que distorce o conceito de direito à vida e à liberdade a ponto de justificar a exploração e a mediocridade? A arte deve ser um veículo de inspiração e fomento à consciência e não de opressão e violência. Enquanto não for compreendido por todos a igualdade de direitos entre animais humanos e não-humanos e ainda restarem dúvidas sobre o dever de respeito à dignidade do outro, exposições explorando animais serão aceitas pela sociedade, atestando a ignorância de alguns em detrimento da consciência e integridade de outros.

Apelação a liberdade artística
A arte é um espaço de possibilidades ilimitado? Por que? E se é, por que a necessidade de explorar animais para sua realização, já que ilimitada? A questão é saber se o ilimitado realmente pode ser concebido, se uma suposta ausência absoluta de qualquer restrição constitui-se realmente como espaço de liberdade. Este espaço pode existir fora da ética, da filosofia, do direito e do contexto histórico e social?

A censura a obra de arte ou a censura às manifestações e a própria vida dos animais? A liberdade artística a qualquer custo, ou a liberdade do outro viver para suas próprias razões, sem ser usado? Aliás, uma liberdade artística apoderada e tendo como álibe burocracias legalistas. Além da exploração pontual de indivíduos, essas atitudes e dependência do uso de animais na arte como algo fundamental, sem alternativas, cria perigosos precedêntes.
A forma contestatória da intervenção artística, está sendo deturpada por pessoas que, de maneira pouco criativa, utilizam um importante espaço para reproduzir o já tão batido domínio humano sobre os animais, que continuam à mercê dos mais sádicos métodos de escravização.

Não faz sentido encarar a discussão como um embate entre libertários e conservadores ou recorrer a artistas vanguardistas que não foram compreendidos no passado. Um artista, por mais rebelde que seja, jamais cogitaria a possibilidade de explorar (não existe exploração conscientemente voluntária) um ser humano em uma instalação. Se ele considera a possibilidade de explorar um animal como algo aceitável, é porque ele não tem a capacidade de analisar e transpor seu próprio especismo. Ou seja, por trás de um verniz de vanguarda, ele na verdade é um reacionário reprodutor.

Apelação a insignificância comparativa
Na tentativa de defender e justificar esse tipo de exploração, recorrem a outros tipos do uso de animais, possivelmente piores, como o abate para consumo humano. Porém, um crime não justifica outro, e no mais, nenhum tipo de opressão deve ser executada e mantida para nos beneficiarmos dela, e é por isso que os Direitos Animais e o veganismo estão aí.

Segundo a filósofa Sonia T. Felipe, em seu texto A ética e o urubu, “uma coisa é interagir com seres vivos de outras espécies; outra, intervir em suas vidas de modo tal que sejam impedidos de gozar o que seu espírito ou mente lhes propicia. Nesse caso, nossa interação deixa de ser ética, pois implica uma inter-ferência, essa forma negativa de intervir na vida alheia ferindo-a ou trazendo-lhe prejuízos em vez de benefícios, ferindo, em vez de defender. Não adianta alegar que o animal está sendo bem tratado, porque cada espécie animal só é bem tratada se não for privada da liberdade de buscar por si mesma os meios de que necessita para assegurar seu próprio bem a seu próprio modo. Isso vale para todas as interações humanas com todos os tipos de animais. Lutamos, no Brasil, para que nenhum circo volte a usar animais em suas apresentações. É preciso que nenhuma mostra de arte seja autorizada a fazer uso de animais para criar realidades absolutamente desnecessárias ao espírito dos animais.”

O uso de animais é insjustificável (rodeios, zoológicos...) e criar mais formas de usá-los, significa explorar mais indivíduos e ratificar ainda mais essa cultura de opressão. Abrigar exposições que maltratam e assassinam animais é apoiar e incentivar o desrespeito à vida. Este tipo de “arte” está a serviço da violência, contra a qual a sociedade diz combater e que está ligada a qualquer outra forma de violência.


- A Lei Federal de Crimes Ambientais, em seu Art. 32 criminaliza quem pratica abusos, maus-tratos, fere ou mutila animais domésticos, exóticos ou silvestres.
- No Rio de Janeiro o uso de periquitos em uma instalação na artista Rosana Palazyan na casa França-Brasil, onde os animais seriam usados para ler a sorte dos visitantes, foi proibida pela Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais com base na lei 3.402 de 22 de maio de 2002. Mais uma vez o Ibama havia dado autorização para essa exploração dos animais.
- Em Curitiba, o uso de animais em espetáculos é proibido pela Lei n° 13.558, de 8 de julho de 2010, que dispõe sobre o comércio de animais. Em seu artigo 2, a lei proíbe “a manutenção de animais silvestres, nativos ou exóticos, domésticos ou domesticados, mesmo que para simples exibição, ou como parte de composição de ambiente, nas feiras, exposições e eventos afins que não tenham este fim específico, estando aí compreendidos também eventos de cunho artísticos”.

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