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Cavalo do mundo real

cavalo do mundo real
 
 
 
 
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Por Daniele de Miranda
 
 
 
 
 
 

Dizem que eu, o cavalo, estou na Terra a 60 milhões de anos, enquanto o ser humano a apenas 60 mil anos. O que faz ele pensar, então, que, apesar de estar aqui a mais tempo, eu só existo para ter alguma utilidade a ele? Que eu não devo estar no mundo para razões próprias? Que eu devo ter um “dono” como se eu fosse uma mercadoria? Como se fosse uma coisa, sem dignidade, sem direitos morais básicos, apenas com o dever de servir a algozes.

 

Assim como a humanidade promove guerras, escravizou negros por sua força física e “ausência de alma”, sempre havendo diversas justificativas com palavras muito bem elaboradas pela "elite intelectualóide" para serem aceitas sem questionamentos; os animais, incluindo nós cavalos, ainda somos usados por nossa força e “ausência de racionalidade”. Ah, esse pessoal, sempre muito bem confortáveis em seus tronos de opressores, e protegidos atrás de biombos sociais muito oportunos.

 

Apesar do Brasil ter baseado sua economia no trabalho escravo, de maneira alguma devemos estar gratos, mas envergonhados, e gratos sim por esse cenário ter mudado. Se a medicina evoluiu com testes em humanos durante o Holocausto, devemos nos envergonhar de ter recebido evolução baseada no sofrimento, de forma tão maquiavélica. Então por favor, não fiquem gratos a mim por inúmeros dos meus terem sido escravizados para benefícios financeiros humanos, como em guerras e invasões imperialistas. Até em estraçalhamento de membros de condenados na idade média. E hoje, nos rodeios e corridas para os ricaços que aplaudem a mercantilização da força dos “inferiores” e a dinâmica de dominação. 

A guerra, violência e opressão não devem ser exaltadas e homenageadas. Devemos buscar uma cultura de paz, mais ética e inteligente, onde temos a capacidade de aprender, criar e mudar. Que a única coisa que um lugar tenha a oferecer não seja a imagem de animais amarrados, tristes e sofridos. Não sou mártir da tradição, nem objeto de decoração.

 

Por favor, não ponham palavras na minha boca, manipulando ainda mais a minha imagem como “feliz servil”, para acalmar e anestesiar mais os que ainda não se posicionaram, ou preferem sempre manter tudo como está. Se não luto contra é porque estou doente (físico e mentalmente), desamparado, amarrado, sozinho, acuado, sem esperanças... Aliás, acuar é algo que alguns seres humanos gostam muito de fazer para oprimir. Coagir, intimidar, manipular, perseguir, usar, controlar... E quando fazem com os animais não-humanos, e gostam disso, fazem com animais humanos também.

 

A escravidão, nada tem a ver com os maus tratos físicos. Escravidão é o estado de servidão. Falta de liberdade; dependência, submissão. Regime social de sujeição do indivíduo e utilização de sua força, explorada para fins econômicos, como propriedade privada. Portanto, estou escravizado sim. E claro, onde há exploração, não há respeito, nem voluntariado. Portanto, os maus tratos físicos estarão SEMPRE atrelados a exploração. Acreditar que fiscalização e legalizações irão magicamente dissipar isso é inocência ou cegueira voluntária. Assim como acreditar que só o visível em minha carne é o meu problema, mais uma vez, como se eu fosse apenas um objeto autômato.

 

Não sou natureza. Sou um indivíduo. Não devo ser preservado. Devo ser respeitado. Os que me veem como indivíduo e me respeitam, estão sendo estereotipados e calados para que os demais se confundam, não percebam e assim, não defendam minha dignidade e liberdade.

 

Se as charretes acabarem, nós iremos para Fazendas Modelo e Santuários. Se as charretes continuarem, nós continuaremos sendo escravizados, explorados e torturados, procriados e vendidos, até cairmos doentes e morrermos sem amparo, atropelados e abandonados em estradas, ou vendidos a abatedouros ilegais; e nossos filhos arrancados continuarão no ciclo de sofrimento.

 

“Os animais do mundo existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens.” Alice Walker.

 

PS: Procure sobre DOMA DE CAVALOS no youtube.

 

LEIA SOBRE AS NECESSIDADES NATURAIS DOS ANIMAIS E SOLUÇÕES AQUI:http://uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/faces-da-exploracao/instrumento/transporte.html

 

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